Quem me conhece, pessoalmente ou via blog, já toma conhecimento de um fato a meu respeito:
Tenho muito amor e carinho por todos os animais... E sou gateira convicta e apaixonada!
Eu poderia passar um dia inteiro - ou escrever um post inteirinho - contando várias histórias a respeito do meu convívio com todos os gatos que passaram pela minha vida, da minha afeição profunda por eles desde que eu me entendo por gente e com fortes influências genéticas e familiares; sobre sua beleza, elegância e altivez (mesmo quando nascem e vivem em meio aos lugares mais humildes possíveis); sobre o quanto estes encantadores bichinhos têm a nos ensinar a respeito de serenidade, paciência, classe, amor-próprio, senso de equilíbrio e de asseio corporal... E principalmente sobre fidelidade e amor incondicional, que não deixa nada a dever aos mais fiéis e apegados cachorros!
Mas como o assunto é demasiado longo para um só post - e estou blogando em uma madrugada insone - quero falar apenas de um dos mais importantes "amigos de quatro patas" que passou pela minha vida nos últimos dois anos e que hoje é mais uma "estrelinha felina" a brilhar em minhas memórias... Falo hoje de Joquim, o meu "doidinho do pelo azul" que partiu para perto de São Francisco de Assis há exatamente um mês.
Há mais ou menos uns dois anos, depois de devidamente estabelecida e empregada aqui em Porto Alegre, sentindo a necessidade de dar uma companhia felina à minha gata Satine, decidi por adotar mais um gatinho e saí a busca. Tendo em mente um filhotinho macho, de preferência já vacinado e castrado, fui até à feirinha de adoção que acontece em frente ao Shopping Lindoia todos os sábados. Ao falar às tiazinhas responsáveis pela feira sobre o gatinho que eu buscava adotar, uma delas lembrou-se de que tinha um casal que tinha um gato disponível para adoção, com todas as características que eu tinha em mente, mas com um pequeno detalhe: já era um gato adulto. Curiosa e ao mesmo tempo preocupada ("Adulto?", "Será que ele vai se adaptar bem à casa nova a esta altura da vida?" "Será que a Satine vai aceitá-lo sem briga?", "Será que ele não vai fugir na primeira oportunidade?") pedi pra ver o gatinho e, em poucos minutos, ele veio dentro de uma caixinha de transporte trazida por um simpático casal de meia-idade. Quando abriram a caixa, pude ver um lindo gato cinza-chumbo (que as associações internacionais de criadores de gatos classificam como azul), mansinho e ronronante, embora assustado com a muvuca ao redor, surgindo assim um "amor ao primeiro colo" que afastou todos os receios que eu tinha a respeito de adoção tardia até então. Assim que eu o assumi o compromisso perante seus antigos donos de que ele seria bem acolhido, bem cuidado e muito amado e o levei pra casa, notei que o seu pelo longo e meio despenteado dava-lhe um certo ar de cientista maluco, gênio incompreendido... Lembrei-me de uma velha música do Vítor Ramil que eu adoro, que falava justamente de um gênio-cientista-louco-incompreendido. E foi assim nessa hora, numa tarde de sábado de um novembro, é que Joquim apareceu em minha vida...
Meu Joquim podia não ser o mais novo e nem ter seis irmãos antes dele... Mas assim como o seu xará da música, era curioso, arteiro, adorava passar longas horas ao sol (mesmo que tivesse que subir clandestinamente em alguma janela, da qual era imediatamente enxotado assim que fosse pego no flagra) e sempre dava pra saber direitinho - através de coisas derrubadas, pelos e marcas de patinhas em cima da mesa, do notebook, da estante da sala - quando ele aprontava mais uma. Esfuziante e cheio de energia como todo jovem adulto, tentou muitas vezes estabelecer uma parceria de brincadeiras com Satine, embora esta respeitável senhora já não se prestasse mais a certos folguedos, preferindo apenas ficar sossegada e escondida em seu canto. Afetuoso a ponto de dar carinhosas (e um tanto doloridas) arranhadas e mordiscadas de amor, Joquim conquistou o meu coração, alguns fãs no Facebook, além do colo das visitas amigas e até mesmo o do meu amado Tiago, um dos mais convictos cachorreiros que Porto Alegre já viu. E como prova concreta de que gatos também ajudam humanos a formar vínculos entre si, não só fiz uma sólida amizade com os antigos "pais" do Joquim, com direito a visitas e tudo, como também pude conhecer melhor algumas simpáticas e queridas vizinhas do meu prédio, as quais passaram a me ajudar cuidando de meus gatos sempre que podiam. Amizades essas que, no que depender de mim, serão lembradas sempre com muito carinho e gratidão por mim.
Mas assim como amigos nos são enviados e ficam entre nós por certo tempo... Amigos também se vão, deixando-nos apenas a saudade e as lembranças. Depois de quase dois anos de uma grande e intensa amizade, infelizmente meu Joquim atravessou a ponte do arco-íris um pouco cedo demais para um gato que, até então, estava lindo, gordinho e saudável. Após ser internado às pressas por conta de uma obstrução urinária, meu "doidinho do pelo azul" veio a falecer depois de uma semana inteira lutando contra as complicações de um diagnóstico positivo de FELV (Leucemia Felina) tardiamente descoberto. E foi assim que um vírus, silencioso e canalha o suficiente para driblar a eficiência das vacinas e levar um animal a óbito em questão de dias, veio para acabar com a vida dele.
Embora você tenha ido embora cedo demais... Esteja em paz
agora no colo de São Francisco de Assis!
E já que tanto falei acima de amizade, carinho e gratidão... Quero terminar este post de hoje agradecendo com todo o meu coração ao querido casal de amigos Sr. Saraiva e Dona Teresa (os antigos "pais" do Joquim) não só pela oportunidade de terem confiado a mim o cuidado e a companhia de tão querido gatinho e por toda a ajuda recebida por vocês, mas como também pela honra de tê-los sempre como grandes e queridos amigos daqui pra frente; ao outro querido casal de amigos Kitty Villarino e Alexandre Lopes, por todo o seu apoio e carinho dedicados nesses momentos difíceis (e nas horas mais inoportunas! XD); ao meu tão amado Tiago Lanes, Rei e Senhor do meu coração, pelo carinho, pelo apoio e pela paciência por ter sido o cachorreiro que um gato mais amou em sua curta vida, hehe! Quero agradecer também aos queridos Dra. Rochana (e seu gatinho Dudu) e Dr. Tobias, da clínica Chatterie Saúde do Gato, não só por terem feito tudo o que era possível - e mais um pouco até - para ajudar o Joquim como também por sua imensa dedicação, carinho e desprendimento com que se dedicam à Medicina Veterinária para ajudar e salvar outros tantos gatos que chegam diariamente à clínica.
E que nossos amigos espirituais - humanos ou de quatro patas - estejam sempre olhando por nós!







